Reservas Mundiais de Lítio: Quais Países Dominam o Fornecimento Mundial de Metais para Baterias?

A corrida pelo armazenamento de energia e domínio dos veículos elétricos depende de um recurso crítico: o lítio. À medida que a procura por baterias de íon de lítio aumenta — com previsões que indicam um crescimento superior a 30% ao ano em veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia em 2025 — compreender quais países controlam as maiores reservas mundiais de lítio torna-se essencial. As reservas totais de lítio do planeta atingem 30 milhões de toneladas métricas em 2024, concentradas em apenas alguns países.

O Triângulo do Lítio: O Estrangulamento da América do Sul no Fornecimento Global

Três países sul-americanos — Chile, Argentina e Bolívia — formam o que é conhecido como o Triângulo do Lítio, detendo coletivamente mais da metade das reservas comprovadas de lítio do mundo. Essa concentração geográfica confere à região uma influência sem precedentes sobre a cadeia de abastecimento global de baterias.

Chile: O Campeão Indiscutível de Reservas

Com 9,3 milhões de toneladas métricas, o Chile possui as maiores reservas de lítio do mundo, representando cerca de 31% do total de depósitos mundiais. A região do Salar de Atacama sozinha responde por aproximadamente 33% da base de reservas globais de lítio, tornando-se a zona de extração mais economicamente atrativa. Apesar dessa vantagem massiva de recursos, o Chile foi o segundo maior produtor mundial em 2024, gerando 44.000 toneladas métricas — uma disparidade entre potencial e produção real.

Esse paradoxo decorre em parte de restrições regulatórias. A iniciativa de nacionalização do Chile, iniciada pelo Presidente Gabriel Boric em 2023, visava aumentar o controle do governo por meio da ampliação da participação da estatal Codelco em operações principais. Embora tais medidas protejam interesses nacionais, os rígidos marcos legais que regem concessões de mineração paradoxalmente limitaram a capacidade do Chile de ampliar a produção e conquistar maior participação de mercado em relação à sua riqueza mineral. No entanto, 2025 traz novo impulso: o governo recebeu sete propostas para contratos de operação de lítio em seis salinas, com os vencedores previstos para serem anunciados em março, sugerindo uma expansão de produção renovada.

Argentina: Novo Polo de Produção com Vantagens de Custo

A Argentina detém 4 milhões de toneladas métricas de reservas de lítio — o terceiro maior estoque mundial. Como quarta maior produtora global, a Argentina gerou 18.000 toneladas métricas em 2024. O que distingue a Argentina não são apenas suas reservas, mas sua competitividade de custos. O país abriga aproximadamente 50 projetos avançados de mineração de lítio, muitos dos quais planejados para expansão nos próximos anos.

O anúncio recente da Rio Tinto exemplifica essa trajetória de crescimento. A gigante de mineração comprometeu US$ 2,5 bilhões para expandir a extração de lítio em suas operações na salina Rincon, aumentando a capacidade de 3.000 para 60.000 toneladas métricas anuais até 2028. Enquanto isso, a Argosy Minerals obteve aprovação governamental para triplicar sua produção de carbonato de 2.000 para 12.000 toneladas métricas. Esses investimentos sinalizam confiança na capacidade da Argentina de ampliar significativamente a produção, mantendo a eficiência operacional.

Austrália: O Centro de Produção com Vantagens de Rocha Dura

A Austrália ocupa uma posição interessante: segunda em reservas (7 milhões de toneladas métricas), mas primeira em produção real. Em 2024, a Austrália extraiu mais lítio do que qualquer outro país, apesar de possuir reservas menores que as do Chile.

Esse diferencial de produção reflete as vantagens geológicas da Austrália. Diferentemente das salinas de salmouras do Chile e Argentina, a maior parte do lítio australiano existe como spodumene de rocha dura, no Oeste do país. A mina Greenbushes, operada conjuntamente pela Talison Lithium (uma parceria entre Tianqi Lithium e Albemarle) e IGO, está em operação desde 1985 e continua sendo uma das mais eficientes do mundo.

Pesquisas recentes da Universidade de Sydney e da Geoscience Australia revelam potencial inexplorado além das zonas tradicionais de mineração no Oeste. Novos mapas que identificam áreas de alta densidade de lítio em Queensland, Nova Gales do Sul e Victoria sugerem futuros centros de produção além da concentração geográfica atual. No entanto, as recentes quedas nos preços do lítio forçaram alguns operadores a reduzir ou pausar projetos, indicando a sensibilidade cíclica do mercado.

China: O Cavalo Negro das Reservas que Redefine Dinâmicas Globais

A China detém oficialmente 3 milhões de toneladas métricas de reservas de lítio, a quarta maior quantidade comprovada do mundo. No entanto, esse número pode subestimar a verdadeira posição de recursos do país. No início de 2025, a mídia chinesa relatou que o país aumentou significativamente suas estimativas de reservas, agora reivindicando 16,5% dos recursos globais de lítio (subindo de 6%). A descoberta relatada de uma faixa de lítio de 2.800 quilômetros no oeste, com reservas comprovadas superiores a 6,5 milhões de toneladas e recursos potenciais acima de 30 milhões de toneladas, poderia transformar fundamentalmente os cálculos de oferta global se for confirmada.

Crucialmente, a vantagem estratégica da China vai além das reservas. O país produziu 41.000 toneladas métricas em 2024 e controla a maior parte da capacidade de processamento de lítio global. Apesar dessa capacidade de produção, a China importa a maior parte do lítio para fabricação de células de bateria da Austrália — uma dependência que molda seu poder de compra e comportamento de mercado.

O Departamento de Estado dos EUA alegou em outubro de 2024 que a China pratica preços predatórios de lítio para eliminar a concorrência não chinesa, “reduzindo preços até que a competição desapareça”. Essa acusação destaca as dimensões geopolíticas das cadeias de abastecimento de lítio e do poder de precificação.

Além das Quatro Principais: O Segundo Nível de Reservas

Embora as quatro principais nações dominem, outros países possuem reservas relevantes:

  • Estados Unidos: 1,8 milhão de toneladas métricas
  • Canadá: 1,2 milhão de toneladas métricas
  • Zimbábue: 480.000 toneladas métricas
  • Brasil: 390.000 toneladas métricas
  • Portugal: 60.000 toneladas métricas (maior da Europa)

Portugal produziu 380 toneladas métricas em 2024, demonstrando que até mesmo os detentores de reservas menores podem desenvolver operações de produção viáveis.

A Implicação do Investimento: Reservas Não Garantem Poder de Mercado

A diferença entre o tamanho das reservas e a produção real — mais evidente no caso do Chile — revela uma lição de investimento fundamental: controlar as maiores reservas de lítio do mundo não se traduz automaticamente em domínio de mercado. Marcos regulatórios, eficiência operacional, desenvolvimento de infraestrutura e investimento de capital determinam a contribuição real para o abastecimento. À medida que a demanda por lítio acelera em 2025 e além, os países com maiores reservas e capacidade de execução para monetizá-las captarão os maiores benefícios econômicos.

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