Para os matemáticos, 2025 talvez seja notável pela sua simetria rara de “quadrado perfeito” (45 multiplicado por 45). Mas o seu significado vai muito além da elegância numérica — marca o fim da ordem global do período pós-guerra e o nascimento de uma nova ordem.
Há 80 anos, quando o mundo saiu da Segunda Guerra Mundial, as potências ocidentais vitoriosas desenharam um sistema destinado a evitar outro conflito catastrófico. A ordem global formada a partir daí baseava-se em três compromissos entrelaçados: estabilidade geopolítica liderada pelos EUA, progresso industrial que elevava gradualmente o padrão de vida, e a prosperidade difundida através do comércio e da integração global.
Essa ordem do pós-guerra realmente alcançou sucessos. No Ocidente, uma classe média em rápido crescimento desfrutava de liberdade política e prosperidade económica. No mundo, centenas de milhões de pessoas saíram da pobreza. Por um tempo, o rumo da história parecia claro, especialmente após o fim da Guerra Fria, até parecer inevitável.
No entanto, retrospectivamente, podemos perceber que a própria ordem do pós-guerra plantou as sementes do seu declínio. O poder concentrou-se em instituições dominadas pelo Ocidente, que alegavam representar toda a humanidade. A hegemonia dos EUA frequentemente levou a intervenções excessivas e arrogância: guerras de uma geração no Médio Oriente, custos elevados, confiança na superioridade do modelo americano, escondendo a decadência interna.
A globalização consolidou um comércio desequilibrado. Países pobres com manufaturas de baixo custo permitiam que consumidores ricos comprassem em grande quantidade, mas à custa da destruição do meio ambiente global. À medida que empresas ocidentais e asiáticas transferiam a produção para o exterior, comunidades locais perdiam empregos e vitalidade. Ao mesmo tempo, a financeirização facilitou a acumulação de riqueza através de especulação e bolhas de ações, aprofundando a desigualdade social sem criar valor real.
A crise financeira de 2008 foi um aviso precoce. Os formuladores de políticas dos EUA estabilizaram o sistema, mas não o consertaram. A desigualdade aumentou, o sentimento político ficou mais raivoso. Quando Trump foi reeleito presidente, sua ascensão já não era uma anomalia, mas o preço a pagar por décadas de desequilíbrio.
Até 2025, as pressões acumuladas tornaram-se insuportáveis, especialmente entre as antigas potências dominantes. A aliança transatlântica, considerada eterna, desmoronou. As guerras comerciais e políticas industriais protecionistas marcaram o fim do comércio sem atritos. O populismo emergente nas democracias revelou uma perda de confiança mais profunda nas elites, e a imigração tornou-se facilmente o bode expiatório.
Além disso, com o agravamento das mudanças climáticas, não é surpresa que líderes e pensadores ocidentais se sintam esmagados por uma “policrise” (polycrisis).
Este termo descreve com precisão a complexidade dos perigos globais, mas não consegue diagnosticar as causas profundas, alimentando o medo e obscurecendo responsabilidades. Também enquadra o impacto ocidental como uma ameaça global, ignorando a agência dos demais países (ou seja, a maioria do mundo).
Não devemos apenas apontar o fim da velha ordem, mas questionar o que pode substituí-la. Afinal, embora a profunda disrupção traga riscos severos, também oferece uma oportunidade rara para uma transformação profunda. Por isso, não devemos ver este momento como uma “policrise”, mas como uma “polytunidade” — uma oportunidade geracional de impulsionar uma transformação global a partir de regiões marginalizadas.
Alguns contornos de uma nova ordem mundial já são visíveis — especialmente em três aspectos. Na geopolítica, ela será caracterizada por multipolaridade, com EUA e China como duas grandes potências, mas sem um único hegemon. Se os países não líderes assumirem mais responsabilidades na oferta de bens públicos globais e encontrarem formas inovadoras de cooperação, essa dispersão de poder não necessariamente levará ao caos.
Além disso, a inteligência artificial (IA) mudará a forma como vivemos e trabalhamos. Dependendo de como for regulada e utilizada, pode levar à maior concentração de poder e riqueza, ou reduzir obstáculos ao acesso ao conhecimento e à produtividade — por exemplo, por meio de traduções, tutoria e resolução rápida de problemas — especialmente para comunidades que historicamente foram excluídas das redes de elite.
Por fim, a globalização não desaparecerá, mas assumirá novas formas. As cadeias de suprimentos longas e frágeis, otimizadas apenas para eficiência, darão lugar a cadeias mais curtas e resilientes. Os países em desenvolvimento de hoje não podem mais esperar crescer apenas exportando para mercados ricos; ao contrário, devem colaborar com vizinhos e remover barreiras comerciais regionais.
O mundo depende de uma escolha fundamental: aproveitar essa “polytunidade” ou sucumbir à “policrise”.
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2025年后的世界秩序 (By Yuen Yuen Ang)
Para os matemáticos, 2025 talvez seja notável pela sua simetria rara de “quadrado perfeito” (45 multiplicado por 45). Mas o seu significado vai muito além da elegância numérica — marca o fim da ordem global do período pós-guerra e o nascimento de uma nova ordem.
Há 80 anos, quando o mundo saiu da Segunda Guerra Mundial, as potências ocidentais vitoriosas desenharam um sistema destinado a evitar outro conflito catastrófico. A ordem global formada a partir daí baseava-se em três compromissos entrelaçados: estabilidade geopolítica liderada pelos EUA, progresso industrial que elevava gradualmente o padrão de vida, e a prosperidade difundida através do comércio e da integração global.
Essa ordem do pós-guerra realmente alcançou sucessos. No Ocidente, uma classe média em rápido crescimento desfrutava de liberdade política e prosperidade económica. No mundo, centenas de milhões de pessoas saíram da pobreza. Por um tempo, o rumo da história parecia claro, especialmente após o fim da Guerra Fria, até parecer inevitável.
No entanto, retrospectivamente, podemos perceber que a própria ordem do pós-guerra plantou as sementes do seu declínio. O poder concentrou-se em instituições dominadas pelo Ocidente, que alegavam representar toda a humanidade. A hegemonia dos EUA frequentemente levou a intervenções excessivas e arrogância: guerras de uma geração no Médio Oriente, custos elevados, confiança na superioridade do modelo americano, escondendo a decadência interna.
A globalização consolidou um comércio desequilibrado. Países pobres com manufaturas de baixo custo permitiam que consumidores ricos comprassem em grande quantidade, mas à custa da destruição do meio ambiente global. À medida que empresas ocidentais e asiáticas transferiam a produção para o exterior, comunidades locais perdiam empregos e vitalidade. Ao mesmo tempo, a financeirização facilitou a acumulação de riqueza através de especulação e bolhas de ações, aprofundando a desigualdade social sem criar valor real.
A crise financeira de 2008 foi um aviso precoce. Os formuladores de políticas dos EUA estabilizaram o sistema, mas não o consertaram. A desigualdade aumentou, o sentimento político ficou mais raivoso. Quando Trump foi reeleito presidente, sua ascensão já não era uma anomalia, mas o preço a pagar por décadas de desequilíbrio.
Até 2025, as pressões acumuladas tornaram-se insuportáveis, especialmente entre as antigas potências dominantes. A aliança transatlântica, considerada eterna, desmoronou. As guerras comerciais e políticas industriais protecionistas marcaram o fim do comércio sem atritos. O populismo emergente nas democracias revelou uma perda de confiança mais profunda nas elites, e a imigração tornou-se facilmente o bode expiatório.
Além disso, com o agravamento das mudanças climáticas, não é surpresa que líderes e pensadores ocidentais se sintam esmagados por uma “policrise” (polycrisis).
Este termo descreve com precisão a complexidade dos perigos globais, mas não consegue diagnosticar as causas profundas, alimentando o medo e obscurecendo responsabilidades. Também enquadra o impacto ocidental como uma ameaça global, ignorando a agência dos demais países (ou seja, a maioria do mundo).
Não devemos apenas apontar o fim da velha ordem, mas questionar o que pode substituí-la. Afinal, embora a profunda disrupção traga riscos severos, também oferece uma oportunidade rara para uma transformação profunda. Por isso, não devemos ver este momento como uma “policrise”, mas como uma “polytunidade” — uma oportunidade geracional de impulsionar uma transformação global a partir de regiões marginalizadas.
Alguns contornos de uma nova ordem mundial já são visíveis — especialmente em três aspectos. Na geopolítica, ela será caracterizada por multipolaridade, com EUA e China como duas grandes potências, mas sem um único hegemon. Se os países não líderes assumirem mais responsabilidades na oferta de bens públicos globais e encontrarem formas inovadoras de cooperação, essa dispersão de poder não necessariamente levará ao caos.
Além disso, a inteligência artificial (IA) mudará a forma como vivemos e trabalhamos. Dependendo de como for regulada e utilizada, pode levar à maior concentração de poder e riqueza, ou reduzir obstáculos ao acesso ao conhecimento e à produtividade — por exemplo, por meio de traduções, tutoria e resolução rápida de problemas — especialmente para comunidades que historicamente foram excluídas das redes de elite.
Por fim, a globalização não desaparecerá, mas assumirá novas formas. As cadeias de suprimentos longas e frágeis, otimizadas apenas para eficiência, darão lugar a cadeias mais curtas e resilientes. Os países em desenvolvimento de hoje não podem mais esperar crescer apenas exportando para mercados ricos; ao contrário, devem colaborar com vizinhos e remover barreiras comerciais regionais.
O mundo depende de uma escolha fundamental: aproveitar essa “polytunidade” ou sucumbir à “policrise”.